Inteligência & Espirito
Talvez seja importante sabermos diferenciar mais clara e objetivamente os significados de inteligência e espírito. Para isto, vale a pena darmos uma repassada nas características dessas duas capacidades humanas.
Do ponto de vista de prestígio, parece que a inteligência leva alguma vantagem. Até porque ela é de uso mais prático. É com ela que resolvemos nossas questões do dia a dia. Ela é mais requerida nos estudos, na obtenção e manutenção do emprego. A grande maioria das profissões exigem mais o uso da inteligência do que do espírito, ou da espiritualidade.
É através da inteligência que aprendemos a aplicar o que aprendemos, a realizar algo. Nossa capacidade intelectual é diversificada: temos capacidade de compreender, de raciocinar, de gerar idéias, de memorizar, de criar soluções objetivas, etc. E aplicamos estas capacidades nos estudos, na vida profissional, na vida social.
Quem mais desenvolve a inteligência, tende a ser mais bem sucedido na vida.
Eis uma definição bem prática de inteligência: é a capacidade de resolver problemas. Resolvemos grande quantidade de problemas todos os dias, durante toda nossa vida. Especialmente na vida adulta.
E quanto ao espírito ? Como diferenciá-lo de inteligência ?
A não ser para quem o utiliza mais intensamente na profissão, como os artistas de um modo geral, o espírito tem sua aplicação em outras situações de vida. Quais são elas ?
O espírito é utilizado menos no exercício das atividades profissionais e mais nas atividades de maior cunho social e de lazer: nas brincadeiras e diversões, nas relações que envolvem amizade, amor, recreação, confraternização, etc., e nas práticas religiosas.
Alguém pode perguntar: e deve ser assim ? Talvez não. Talvez devêssemos utilizar mais o espírito nos trabalhos em que há muitas relações humanas. Mas esse hábito está ainda por ser desenvolvido. Quem sabe no futuro ?
Como uma maneira prática de diferenciar os dois, podemos dizer que a inteligência faz o mundo funcionar, produzir; e o espírito faz o mundo sentir: alegrar, chorar, ter saudades.
O desenvolvimento e uso do espírito podem ser favorecidos pela melhor condição de vida, não só em virtude de mais poder aquisitivo, mas também pela maior possibilidade de evolução cultural das pessoas de maiores posses.
Vendo sob outros ângulos
É através da inteligência que aumentamos os conhecimentos. A inteligência é processadora do desenvolvimento e da manifestação de conhecimentos. Mas o que dá o toque de graciosidade, de humor, de criatividade às manifestações de conhecimento é o espírito.
Talvez se possa dizer que a inteligência é mais fria e o espírito mais caloroso.
Podemos desenvolver memória e capacidades de raciocínio, demonstrando saber saber, saber realizar trabalhos, saber resolver questões. Mas não significa que seremos competentes em saber sentir algo diante das artes, que seremos competentes em sabermos nos sensibilizar mais diante de maior quantidade de fenômenos e manifestações do mundo e da vida. Que seremos competentes em sabermos nos relacionar e conviver com mais intensidade, com mais satisfações. E até em sabermos ser mais feliz, por que não ?
Reforçando a idéia: ter muita inteligência pode ajudar no sucesso profissional, mas não garante que saberemos viver melhor, sentir o mundo melhor. Aí entra a espiritualidade. Ter as duas desenvolvidas é o ideal.
Desenvolver a sensibilidade é preciso
A vida prática já nos leva a desenvolver a inteligência mais naturalmente. Mas para desenvolvermos melhor o espírito é preciso talvez um empenho maior de nossa parte. Que vale muito a pena, cabe enfatizar. Vejamos:
Com mais espiritualidade, aprendemos a ver melhor coisas bonitas na vida: nas jogadas do futebol, nas atitudes graciosas ou inteligentes das pessoas, na harmonia da natureza e das músicas, no vôo dos pássaros, no colorido das flores e das borboletas, na queda das cachoeiras, no sorriso das crianças, no por do sol, nas invenções da tecnologia, nas fachadas bonitas dos prédios, nos desenhos dos carros, na graciosidade dos dançarinos, nos gestos de amizade, na beleza do trabalho voluntário, do mutirão, da solidariedade; nas manifestações de amor, nas mensagens das poesias, nas tramas dos enredos dos romances, nos desfiles das escolas de samba que mostram várias artes e técnicas reunidas.
A beleza está em todos os lugares. O mundo é uma grande obra de arte. Precisamos ficar atentos para o fato de que as notícias ruins, que as mídias preferem destacar, podem desviar nossas atenções das coisas de bonitas e de valor.
Devemos ter em mente também que:
a) algumas mídias importantes costumam prestigiar e valorizar as coisas mais complexas, nas artes, nas ciências, nas tecnologias. O que não contribui para o desenvolvimento da cultura nas camadas maiores da população.
b) as manifestações de arte complexas apelam mais para a inteligência, para o raciocínio, do que para a sensibilidade emotiva e para a espiritualidade. E acabam tornando-se elitistas. Carrega-se tanto na técnica que faz a arte perder em beleza.
Pode-se argumentar que há gosto e público para tudo. Com certeza. Mas o que se pretende destacar aqui é a necessidade de tornar as artes mais acessíveis ao grande público, para aumentar a espiritualidade no mundo.
Não é demais dizer que a simplicidade também pode ser bonita. A simplicidade também tem o seu valor.
Mostrar inteligência e criatividade de forma simples é uma maneira de ser competente. Numa visão mais moderna de mundo.




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