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O desperdício de competências

Escrito por Enio Resende em quarta-feira, 27 maio 2009Sem comentarios

725760291_770fa7572dÉ deveras impressionante a valorização, nas duas últimas décadas, do conceito ampliado de competência. Mas provavelmente só as pessoas com mais de quarenta anos de idade saberão reconhecer que se trata de fenômeno recente.

Durante oitenta anos – depois que os pioneiros Frederick Taylor e Henri Fayol introduziram suas famosas teorias de Administração, o primeiro conhecido como o “pai da Administração Científica”, e o segundo como o “pai da Administração Clássica” – predominou nas organizações o sentido e o valor da eficiência. Taylor enfatizou a eficiência operacional e Fayol a eficiência organizacional.

O que caracteriza a eficiência é a ênfase nos procedimentos e nas estruturas. Mas apesar de muitas vezes essa eficiência custar caro, as empresas não se preocupavam com isto. Em tempos de vacas gordas e de pouca competitividade, as organizações não se preocupavam muito com custos, com desperdícios.

Com uma mais rápida globalização e aumento da competitividade, as empresas tiveram que preocupar-se mais com os seguintes aspectos antes desprezados: racionalização de recursos e satisfação dos clientes.

E aí acontece o fenômeno da valorização do fator competência. Cujo foco principal vai além dos processos. Enquanto a eficiência é mais voltada para os resultados intermediários – como um time de futebol que se preocupa mais em se defender e jogar bem esquematizado do que em buscar o gol – a competência volta-se mais para os resultados finais. Em marcar gols e vencer o jogo.

A competência não abandona a eficiência. Vai além dela.

Esse comportamento de despreocupação com resultados é também uma questão de cultura social. Estudos e pesquisas mostram que é impressionantemente grande o desperdícios de recursos na sociedade: alimentos, água, roupas, energia, etc.

Mas quero destacar aqui o desperdício de competências na sociedade. A grande maioria das pessoas possuem mais competências do que imaginam. E por não ter consciência disto as pessoas deixam de usá-las, com prejuízos para elas próprias e para a sociedade. E mais: essas pessoas não têm consciência também de que podem desenvolver competências que adquiriram na vida e nos estudos, tornando-se melhores profissionais, melhores pais, melhores cidadãos.

O conceito de competência inclui domínio de conhecimentos. Quem adquire e desenvolve mais conhecimentos tende a ser mais competente. Mas a efetiva competência vai além de dominar conhecimentos. É preciso adquirir conhecimentos certos e úteis, e principalmente saber colocá-los em prática. Há pessoas que fazem muitos cursos, inclusive pós-graduação e mestrado, mas não ficam mais competentes. Porque não se dedicam também a saber aplicá-los. Saber aplicar conhecimentos requer o emprego de várias habilidades.

O sentido moderno de competência inclui ter conhecimentos e saber aplicá-los. Para ficar mais claro o conceito, lembremo-nos de que os recém formados ainda não são competentes. Eles precisam aprender a colocá-los em prática para se tornarem competentes. Há profissões que exigem que as teorias sejam colocadas em prática, competentemente, rapidamente em virtude das conseqüências do não saber aplicar os conhecimentos, como os médicos e os enfermeiros por exemplo. Ou precisam ser assistidos mais de perto no início de sua atuação profissional.

Há muitos erros e desperdícios nas atividades profissionais porque se dedica mais à aquisição de conhecimentos, e menos em saber aplicá-los devidamente. Porque se dedica pouco à competência do saber fazer.

É sempre bom lembrar que, se a maioria das pessoas ficarem melhor ou mais competentes profissionalmente e como cidadãos, a sociedade ganha, as organizações ganham, o país ganha.

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