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Talento e tá lento

Escrito por Enio Resende em segunda-feira, 27 julho 2009Sem comentarios

talentoÉ muito freqüente, nos tempos atuais, o uso da expressão talento, referindo-se a pessoas com destacadas competências e habilidades. Isto porque há uma crescente valorização do fator humano nas organizações e na sociedade.

Em épocas ou situações de menor competitividade nos negócios e de menor exigência dos clientes, as organizações, regra geral, não davam a devida importância ao desempenho dos seus empregados. Preocupavam-se mais com seu comportamento, ou seja, com assiduidade, pontualidade, esforço (suor), do que com seu desempenho, que tem vem ver com produtividade, satisfação dos clientes e outros aspectos de resultados.

Em virtude desse menor interesse, anteriormente, pela performance dos empregados e equipes, as avaliações de desempenho eram quase sempre desprestigiadas pelas gerências e fracassavam. Sobreviviam apenas quando essa atividade – embora tendo o nome de avaliação de desempenho – avaliavam na verdade o comportamento. Para ficar mais clara a questão ora considerada, cabe dizer que muitas e muitas empresas fracassaram e faliram, mesmo sendo seus empregados pontuais, assíduos e dedicados. Tal comportamento é necessário e importante, mas o que faz um empresa ter sucesso são os resultados de produtividade, lucratividade e satisfação dos clientes.

Visto sob outro ângulo, os empregados eram promovidos e recebiam aumento salarial pelo comportamento, mais do que pelo desempenho. Em virtude disto é que ocorriam promoções de pessoas ao seu nível de incompetência. De que trata o livro “Todo mundo é incompetente”, de Laurence J. Peter. Significa dizer que as pessoas eram promovidas para posições acima de sua capacidade técnica e/ou de liderança, porque era bastante que fossem assíduas e dedicadas.

Em tais condições – permitam-me os leitores fazer uma brincadeira com um jogo de palavras – as empresas acabam por valorizar o “tá lento”. Empregados bem comportados, ainda que não fossem empenhados e ativos na busca de melhores contribuições e resultados. Contrariamente ao que acontece hoje, quando se busca valorizar os verdadeiros talentos. Profissionais proativos, dinâmicos, empreendedores, criativos.

Mais recentemente, por razões de maior competitividade e exigência de qualidade, vale repetir, as empresas estão levando mais a sério a avaliação do desempenho. Tanto ou mais do que a avaliação de comportamento. É verdade que elas foram estimuladas a praticar a avaliação de desempenho como imposição da Lei que criou o pagamento de PLR (participação nos lucros ou resultados). Mas, independente disto, as empresas estão se tornando mais conscientes e têm buscado aperfeiçoar e levar a sério os critérios de exigência de resultados (desempenho), praticando a remuneração variável de forma mais criteriosa. Até por conta do aumento crescente da competitividade e de maior exigência dos clientes. Os tempos de tolerância ao “tá lento” está terminando. Pelo menos em organizações mais profissionalizadas e naquelas que possuem mais competidores no mercado.

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