Perda do Emprego
Tornar-se desempregado é, agora, ocorrência comum na sociedade. As pessoas das novas gerações – parte da “ geração ´x` ” e a “ geração y “, ou seja, abaixo de mais ou menos 35 anos de idade, não estranham muito essa realidade porque não conheceram de perto a situação de estabilidade das empresas e dos empregos nas décadas de 1950/60/70.
Ocasião em que as tecnologias evoluíam mais lentamente e as empresas mudavam muito menos suas estruturas e quadros de pessoal. Quando mudavam era para crescer; poucas vezes para reduzir atividades ou enxugar quadros. Regra geral, é preciso ser dito, porque sempre há exceções.
Quem – na população de empregados – conheceu a época anterior, de mercado de trabalho positivo e em alta, provavelmente tem sofrido mais com esses tempos bicudos de redução de oportunidades de trabalho. Especialmente aqueles que, em condições de se aposentarem, tinham salários bastante superiores ao deteriorado teto máximo do valor pago pela Previdência.
Há ainda a considerar que as pessoas em condições de se aposentarem pertencem agora a uma geração que terá sua vida prolongada em 10, 15 ou mais anos. Se isto é uma boa notícia dos pontos de vista de qualidade de vida e de aumento da longevidade, é uma notícia ruim no sentido do aumento da competitividade em restrito mercado de trabalho.
A expressão “desemprego” tem sido utilizada para aquela situação de quem tinha vínculo de trabalho com alguma organização – emprego formal – e o perde. Há que se ter em mente, entretanto, que o emprego formal parece terá seus anos contados, segundo previsões bem fundamentadas. Mas não as relações de trabalho. Sabemos que o crescimento do emprego informal (sem registro) tem muito a ver com o custo dos encargos sociais para as empresas. No que o governo não tem demonstrado interesse em mexer.
Outro ponto que merece nossa atenção: o número de pessoas formadas em curso superior cresce enormemente, e a competitividade aumentará também, gradativamente, no mercado de profissionais liberais.
Tomando consciência dessa nova realidade, as gerações recém chegadas e as que irão chegar ao mercado de trabalho, nos próximos tempos, devem ter em mente a necessidade de cuidarem mais e melhor de suas qualificações profissionais. Precisam se conscientizar de dois pontos fundamentais: i) tornarem-se profissionais mais polivalentes, ou seja, estarem preparados para exercer diferentes profissões, conforme observação no parágrafo seguinte; ii) precisam saber que ninguém mais pode parar de estudar (aperfeiçoamento e reciclagem constantes), porque acontecem duas coisas com os conhecimentos: de um lado, não param de ser gerados; de outro lado, boa parte deles fica obsoleto rapidamente.
Sabe-se que as pessoas possuem capacidade de exercer diferentes atividades profissionais. Se repararmos bem, veremos pessoas sendo ao mesmo tempo: jornalista, professor e escritor; médico, diretor de hospital e fazendeiro; veterinário, comerciante e consultor; administrador de empresas, professor, consultor e escritor, etc. Sem falar que muitas delas ainda sabem mexer no motor de seus carros e em eletrodomésticos. As pessoas podem exercer – se tiverem tempo e recursos – quatro, cinco ou mais diferentes atividades com aplicação de diferentes conhecimentos e habilidades.
Voltando à questão do (des)emprego. Há uma possibilidade de, no Brasil, ser minimizado o aumento do desemprego e o aumento da competitividade no mercado de profissionais liberais. É sabido que o Brasil tem grande potencial e grande possibilidade de crescimento econômico nos próximos tempos.
O Brasil é o “B” do BRIC, as quatro nações que mais crescerão economicamente no futuro. As outras são: Rússia, Índia e China.
Sua taxa de crescimento será grande por bastante tempo, o que resultará em diminuição da pobreza e em maior distribuição de renda. O que fará a roda positiva da economia funcionar. Roda positiva esta explicada assim: aumento do emprego faz aumentar consumo que faz aumentar a produção que faz aumentar o emprego que faz aumentar o consumo, de forma constante. O resultado desse processo é o que se chama de crescimento econômico (e social, por desdobramento) de um país.
Com um crescimento econômico prolongado, as empresas existentes crescerão e muitas outras surgirão, gerando muito emprego. Aumentando as possibilidades de trabalho. Porém serão empregos cada vez mais especializados. E as empresas serão cada vez mais exigentes na seleção.
Esta notícia precisa ser mais divulgada para que as pessoas saibam que terão de preparar-se melhor para um novo mercado de trabalho.




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