8 ou 80
Como resultante de herança cultural, tendemos a adotar medidas ou posturas extremadas que podem ser identificadas como sendo: 8 ou 80, sim ou não, pode ou não pode, pegar ou largar, etc.
Quanto mais se volta ao passado, para entender os costumes, mais se verifica que as atitudes das diversas autoridades (dirigentes, pais, controladores, e outras), mostram-se bastante extremadas. Mas essa forma de radicalismo é ainda muito observada no presente.
Há valores culturais que merecem ser preservados. Mas há também manifestações culturais que devessem ser abandonadas. As atitudes extremadas – como regra – talvez seja uma delas. Seria bom para o desenvolvimento das relações sociais – e progresso da sociedade – que esse comportamento fosse com o tempo minimizado.
E esse comportamento costuma resultar pior quando a emoção entra em cena como complicador.
O que pretendo destacar neste breve texto é que as relações entre pessoas, organizações e países, assim como entre líderes e liderados de qualquer tipo, poderão ser melhores, mais civilizadas, quanto mais soubermos valorizar, ao contrário das extremadas, atitudes ponderadas e flexíveis, adequadas a cada situação.
O futebol pode nos mostrar várias lições de vida. Uma delas é que o jogo mais eficaz é aquele que mostra mais variações e mais adaptações às circunstâncias da competição. O futebol com esquemas rígidos tende a ser mais perdedor. Costuma ser também decepcionante para os apreciadores deste esporte. O futebol é o esporte mais universal porque é mais inteligente, mais flexível e adaptativo, mais cheio de nuances, mais surpreendente.
(Agora, cá entre nós, como torcedores de clubes temos de ser radicais, se não perde a graça …)
Essa postura flexível significa amadurecimento mental e social. O mundo poderá ser mais civilizado e melhor, quando uma maior quantidade de pessoas forem mais maduras e cidadãs.
Em suma: o radicalismo pode significar rigidez ou intransigência de idéias ou posições, e tende a ser prejudicial ao processo de evolução da sociedade. Isto porque:
- O radicalismo não favorece a democracia, nem a boa convivência social.
- O radicalismo dificulta acordos, conciliações e negociações, tão necessários em sociedades complexas.
- O radicalismo dificulta amizades e parcerias.
- O radicalismo endurece corações e mentes
Talvez esta observação possa contribuir para a disposição de amadurecer e flexibilizar idéias e posturas: nada no mundo é certo, acabado ou definitivo; tudo está para ser aperfeiçoado, tudo está em permanente processo de evolução.
Termino com uma frase que acabei cunhando de tanto refletir sobre essa idéia: “A única verdade absoluta é que tudo é relativo”.




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